segunda-feira, abril 27, 2026
InícioGOAdenomiose afeta cerca de 10% das mulheres, causa dor intensa e pode...

Adenomiose afeta cerca de 10% das mulheres, causa dor intensa e pode comprometer a qualidade de vida significativamente


Doença ainda pouco conhecida, a adenomiose causa sofrimento e pode chegar a ser incapacitante em alguns casos. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 10% das mulheres são acometidas pela enfermidade, caracterizada por cólicas fortíssimas e sangramento intenso e prolongado. Para divulgar e esclarecer sobre esse mal, foi criado o Abril Roxo, mês dedicado à conscientização sobre a doença.

Sangramento vaginal acentuado durante a menstruação, cólicas intensas e dor pélvica ou durante as relações sexuais, podem ser sintomas de várias doenças do aparelho reprodutor feminino. Uma delas é adenomiose. Nome difícil e pouco conhecido, a doença acontece dentro do útero e atinge, geralmente, mulheres entre 35 e 50 anos.  

A ginecologista e obstetra Nayara de Matos Jangelme explica que a adenomiose ocorre quando o endométrio, o tecido que reveste, internamente o útero, começa a crescer dentro da parede do útero, deixando o órgão mais inchado, inflamado e acentuadamente sensível.

Segundo a médica, ainda não foi descoberta uma causa única definida para a adenomiose, mas a doença está muito relacionada a alterações hormonais, principalmente de estrogênio, a cirurgias uterinas prévias como cesárea e, ainda, à idade, por isso, ela atinge, principalmente, as pacientes após os 30 anos. “Os sintomas mais comuns são cólica forte, a principal, menstruação muito intensa, sangramento prolongado, dor durante a relação sexual e uma sensação de pressão na pelve”, ensina a profissional.

Foi uma queixa de cólica intensa durante o período menstrual que levou a técnica em enfermagem Franceslaine da Silva Gauna ao consultório ginecológico. Como a maioria das mulheres, ela nem sabia da existência dessa doença. “A cólica me incomodava muito, a ponto de, às vezes, ter que procurar atendimento hospitalar.”

Na consulta, a médica suspeitou da adenomiose, diagnóstico comprovado por uma ultrassonografia transvaginal.

No caso da Franceslaine, o uso de anticoncepcional oral foi suficiente para aliviar os sintomas. “Hoje faço uso de anticoncepcional contínuo, sem pausa, e estou supertranquila. A adenomiose ainda existe, mas hoje em dia estou praticamente sem sintomas”, comemora.

Transtornos

Nayara de Matos pontua que não há grandes riscos para quem tem adenomiose, como a possibilidade de evolução para uma outra doença mais grave, mas pode estar associada a outras enfermidades, como endometriose e os miomas. Além disso, o problema interfere na qualidade de vida, por causa das dores e do transtorno por conta da intensidade do fluxo menstrual. No caso de pacientes que apresentam sangramento muito abundante, a adenomiose pode levar ainda à anemia.

Para as mulheres que desejam ter filhos a adenomiose pode ser um problema. Segundo a ginecologista, a doença pode causar dificuldade para engravidar, maior risco de aborto e de complicação na gestação. Mas, isso não é regra geral. “Muitas mulheres com adenomiose engravidam normalmente”, explica Nayara.

Apesar de ter sintomas parecidos com de outras doenças, como a endometriose e os miomas uterinos, o diagnóstico da adenomiose é relativamente simples, podendo ser fechado através da ultrassonografia transvaginal, como aconteceu com a Franceslaine, ou, em alguns casos em que o ultrassom for inconclusivo, uma ressonância magnética pode confirmar a enfermidade.

Diagnóstico fechado, o tratamento vai variar de acordo com as características de cada paciente e dos problemas apresentados, como o grau de acometimento e o sintoma mais acentuado. “Os tratamentos principais são anticoncepcionais, DIU hormonal e analgésicos. Eles ajudam a controlar os sintomas, mas não curam a doença. A cura definitiva é só com histerectomia, que é a retirada do útero”, propõe a ginecologista.

A profissional explica ainda que a cirugia só é indicada em alguns casos: “Quando a dor for muito intensa, sem melhora com o tratamento, se o sangramento for grave ou quando a mulher já não deseja mais engravidar”.

Controle

De acordo com a especialista, não existe uma forma de prevenir a doenças, mas é possível controlar os fatores que pioram, como evitar excesso de estrogênio, o cuidado com a saúde hormonal e a busca do tratamento o quanto antes. Além disso, o estilo de vida pode ajudar bastante na mitigação dos sintomas. “Coisas que podem melhorar: uma alimentação anti-inflamatória, atividade física, controle do estresse, evitar álcool em excesso. Não resolvem sozinhos, mas melhoram bastante os sintomas”.

Por fim, a médica orienta as mulheres que têm algum sintoma da doença, lembrando que a cólica da adenomiose não é uma cólica normal, é uma dor forte que precisa sempre ser investigada. “Muitas mulheres convivem anos sem diagnóstico e ninguém precisa viver com dor. O diagnóstico precoce faz toda a diferença. Então, resumindo, adenomiose não mata, mas pode impactar muito a qualidade de vida e sempre merece atenção.”

Franceslaine, que hoje melhorou, consideravelmente, a qualidade de vida e convive bem com a enfermidade, concorda plenamente e também aconselha: “Cólica intensa não é normal, tem que deixar de lado o que as pessoas falam. Se você tem o sintoma, merece sempre ser avaliada”.



Source link

RELATED ARTICLES

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Advertisment -
Google search engine

Most Popular

Recent Comments