Mesmo após Celina Leão assumir o governo, órgão mantém centenas de cargos ativos e custo anual superior a R$ 26 milhões em meio a crise financeira, política e questionamentos sobre gastos públicos
A estrutura da Vice-Governadoria do Distrito Federal continua funcionando normalmente, mesmo sem existir vice-governador em exercício desde março de 2026, quando Celina Leão assumiu definitivamente o comando do Palácio do Buriti após a saída de Ibaneis Rocha para disputar o Senado, em meio ao escândalo da possível quebra do BRB.
Os números chamam atenção.
Dados baseados no Portal da Transparência do DF mostram que a Vice-Governadoria mantém atualmente cerca de 393 servidores ativos e 267 cargos comissionados autorizados, dos quais 241 seguem ocupados. A folha líquida mensal gira em torno de R$ 2,245 milhões, o que representa um custo anual superior a R$ 26 milhões aos cofres públicos tão deficitários por conta da má gestão.
O caso passou a gerar forte repercussão política porque, na prática, o Distrito Federal mantém uma máquina administrativa robusta para um cargo atualmente inexistente.
O crescimento da estrutura também entrou no centro das críticas. Desde 2023, o número de servidores ligados à Vice-Governadoria teria aumentado mais de 94%, mesmo em um período de pressão fiscal, decretos de contenção de despesas e discursos oficiais defendendo austeridade administrativa.
Especialistas em gestão pública ouvidos em debates recentes sobre estrutura estatal afirmam que cargos de assessoramento são legítimos dentro da administração pública, mas ponderam que a manutenção de estruturas amplas sem função política efetivamente ocupada costuma gerar questionamentos sobre eficiência administrativa e prioridade orçamentária.
A comparação com áreas essenciais amplia o desgaste.
Enquanto hospitais públicos enfrentam déficit de profissionais, filas e sobrecarga operacional, a Vice-Governadoria possui proporção elevada de cargos comissionados. Cerca de 61% da estrutura seria composta por cargos de confiança, percentual muito acima de órgãos operacionais como a Secretaria de Saúde, que concentra principalmente servidores efetivos.
Críticos do atual governo afirmam que a manutenção da estrutura transmite à população a imagem de um Estado pesado e caro em um momento de dificuldade econômica e desgaste político.
O debate ganhou ainda mais força após as controvérsias envolvendo negociações do BRB com o Banco Master, episódio que provocou críticas da oposição e levantou temores sobre possíveis impactos financeiros ao banco público de Brasília. Embora não exista conclusão judicial definitiva sobre irregularidades, adversários políticos utilizam o caso como símbolo de uma gestão supostamente marcada por expansão administrativa e decisões de alto risco político.
Nos bastidores da política local, cresce a pressão para que o governo explique por que uma estrutura criada para atender a Vice-Governadoria continua operando em tamanho praticamente intacto mesmo sem vice-governador em exercício.
Para setores da oposição e especialistas em contas públicas, a pergunta central passou a ser inevitável: em um cenário de cobrança por economia e eficiência, faz sentido manter uma estrutura milionária para um cargo vazio?
Fontes: Portal da Transparência do DF, decretos oficiais do GDF e dados administrativos publicados pelo Governo do Distrito Federal.



