Após crise nos salários de professores, cortes de benefícios e impossibilidade de reajustes servidores mudam o tom com o Buriti e exporem o desgaste da gestão Celina Leão
Erros recorrentes, contracheques zerados e atrasos atingem milhares de docentes temporários enquanto governo enfrenta pressão política e crise de credibilidade
A crise no pagamento dos professores temporários da rede pública do Distrito Federal transformou-se em um dos maiores desgastes da gestão de Celina Leão. Há meses, milhares de docentes convivem com salários atrasados, contracheques zerados e pagamentos considerados irrisórios, cenário que sindicatos classificam como “desumano” e resultado de falhas graves de gestão.
Em meio ao caos administrativo, opositores passaram a apelidar a atual administração de “Governo Master”, em referência ao escândalo envolvendo negociações do BRB com o Banco Master, episódio que abalou a imagem política do governo e gerou forte repercussão sobre a condução financeira do Distrito Federal.
Enquanto o debate sobre o banco domina os bastidores políticos, professores relatam uma realidade dramática dentro de casa.
Há casos de profissionais que receberam apenas valores simbólicos, como R$ 322, R$ 350, referentes ao auxílio-alimentação, e até pagamentos de apenas R$ 31,49. Muitos são pais e mães de família que dependem exclusivamente do salário da educação pública para pagar aluguel, alimentação e contas básicas.
O problema atinge justamente uma das categorias mais importantes da rede pública: os professores em contratação temporária (CTs), que representam mais de 40% a 50% da força docente em sala de aula no DF. Segundo relatos sindicais e reportagens publicadas desde fevereiro, mais de 14 mil profissionais foram afetados em algum nível pelos erros sucessivos na folha de pagamento.
A principal justificativa apresentada pelo governo é a implantação do sistema EducaDF, apontado como origem das inconsistências envolvendo jornada, coordenação pedagógica, adicionais e cálculos salariais. O problema, porém, já se arrasta há meses, e, para muitos professores, a explicação deixou de convencer.
O Sinpro-DF acusa o governo de “descaso e incompetência” e afirma que a crise demonstra falta de planejamento administrativo. O sindicato cobra correção imediata dos pagamentos, folhas suplementares emergenciais e até indenizações por danos morais diante do impacto causado às famílias.
A situação agravou ainda mais o desgaste político do governo Celina Leão, que já enfrenta críticas após as controvérsias envolvendo o BRB e o Banco Master. Embora não exista decisão judicial definitiva apontando irregularidades, adversários políticos afirmam que o governo estaria paralisado e sem capacidade de gestão diante da sucessão de crises administrativas.
Nos bastidores da educação, o sentimento predominante é de abandono.
Professores relatam empréstimos atrasados, contas acumuladas, juros bancários e insegurança emocional. Para especialistas em gestão pública, atrasos salariais em áreas essenciais costumam produzir efeito devastador não apenas na vida dos servidores, mas também na credibilidade institucional do governo.
A percepção entre educadores é de que o problema deixou de ser pontual.
Depois de meses de falhas, folhas suplementares e promessas de regularização, cresce a avaliação de que a crise já representa um símbolo da fragilidade administrativa do atual governo do Distrito Federal.
Fontes: Sinpro-DF, Correio Braziliense, Agência Brasília e Brasil de Fato.



