Ex-governador afirma em vídeo que mais de 70 vagões estão parados em manutenção, denuncia “canibalização mecânica” e critica falta de investimentos no transporte público do DF
A crise do transporte público no Distrito Federal voltou ao centro do debate político após declarações do ex-governador José Roberto Arruda sobre a situação do Metrô-DF. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Arruda faz duras críticas à gestão da governadora Celina Leão, aponta falhas estruturais no sistema metroviário e associa o atual governo ao que opositores passaram a chamar de “Governo Master”, em referência à crise envolvendo o BRB e o Banco Master.
Segundo Arruda, o metrô do Distrito Federal enfrenta hoje um cenário de sucateamento, falta de investimentos e deterioração operacional. O ex-governador relembra os investimentos feitos nas gestões anteriores e afirma que o sistema “parou no tempo”.
> “O metrô funciona bem no mundo inteiro, mas em Brasília…”, afirma Arruda no início da gravação.
Durante o vídeo, Arruda relembra que participou da implantação inicial do sistema metroviário ainda no governo Joaquim Roriz, quando ocupava a Secretaria de Obras do DF.
> “No governo Roriz, nós construímos a primeira parte do metrô. Saímos do Plano Piloto, Guará, Águas Claras, Taguatinga e compramos 80 carros de metrô.”
Ele também destaca que, em sua gestão como governador, houve ampliação da malha até Ceilândia, construção de novas estações e aquisição de novos vagões.
“No meu governo, pegamos o metrô que estava parado na Praça do Relógio e levamos até Ceilândia. Construímos novas estações e compramos mais 48 carros de metrô.”
O trecho mais duro da crítica acontece quando Arruda denuncia o estado atual da frota. Segundo ele, dos 128 vagões adquiridos ao longo dos anos, mais da metade estaria fora de operação.
> “Só que destes, mais de 70 carros estão em manutenção.”
Ainda segundo Arruda, técnicos do sistema estariam sendo obrigados a retirar peças de um trem para manter outros funcionando, prática conhecida na engenharia como “canibalização mecânica”.
> “Estão retirando peças de um carro para colocar em outro, o que a gente chama na engenharia de canibalização mecânica. Isso é terrível.”
A denúncia reforça reclamações frequentes de usuários sobre atrasos, falhas operacionais, lentidão e panes em estações do metrô do DF. Passageiros relatam superlotação em horários de pico, aumento do tempo de espera e interrupções recorrentes nas viagens.
Para Arruda, o problema seria consequência direta da falta de investimentos e de planejamento por parte do atual governo e das últimas gestões.
> “Fazem 15 anos que não se investe nada no metrô.”
Ele cita ainda projetos históricos que continuam sem sair do papel, como a expansão para Gama e Santa Maria, Sol Nascente e Asa Norte.
> “O metrô parou no tempo e no espaço.”
Ao final da declaração, Arruda associa a crise do transporte à situação financeira enfrentada pelo BRB após os desdobramentos do Caso Master.
> “É mais um reflexo do Governo Master.”
A expressão passou a ser utilizada por opositores para associar o governo Celina Leão à crise envolvendo o Banco Master e o rombo bilionário enfrentado pelo BRB após operações financeiras investigadas pela Polícia Federal e pelo Banco Central.
Críticos da gestão afirmam que o governo demonstra sinais de incapacidade administrativa em áreas estratégicas do Distrito Federal, incluindo mobilidade urbana, saúde financeira do BRB e execução de investimentos estruturantes.
O Metrô-DF é responsável pelo transporte diário de milhares de passageiros entre regiões como Ceilândia, Samambaia, Taguatinga, Águas Claras, Guará e Plano Piloto. Especialistas alertam que a deterioração da frota e a ausência de expansão comprometem diretamente a mobilidade urbana e aumentam a dependência do transporte rodoviário.
Até o momento, o Governo do Distrito Federal não apresentou resposta oficial às declarações de Arruda sobre a quantidade de vagões parados ou sobre a denúncia de “canibalização mecânica”.
Fontes: declarações públicas de José Roberto Arruda, Metrô-DF, GDF, relatos de usuários e informações públicas sobre a operação do sistema metroviário do Distrito Federal.
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