Info DF: Leitura das Urnas – Por: Edimilson Carvalho
Esta análise de cenário e conjuntura política destrincha os trunfos e os pontos sensíveis de Pepa, Cláudio Abrantes e Jordenes em Planaltina/Arapoanga, que integram a estratégica 6ª Zona Eleitoral do DF. O trio local enfrenta o desafio de estancar a invasão de votos de fora enquanto enfrenta seus próprios desafios locais e partidários em uma conjunta diferente do último pleito. Em breve, farei uma análise pormenorizada de Pepa e Cláudio, ambos integrantes da Federação União Progressista (junção do União Brasil e do Progressistas). Para a maioria dos analistas, a legenda fará em torno de três, no máximo quatro distritais, o que torna muito provável que um dos dois acabe ficando de fora. Mas sobre isso falaremos detalhadamente na próxima coluna do Info DF: Leitura das Urnas. Aguardem.
A Matemática dos votos de Planaltina/Arapoanga, e a Invasão Externa
Para entender o tamanho da eleição de 2026, é preciso olhar friamente para o histórico de votação na última eleição, a região registrou mais de 90 mil votos válidos para deputado distrital. No entanto, o “Triângulo de Ferro”, mesmo no seu melhor momento, colheu apenas uma fração desse montante. Ao compararmos os votos locais com o total geral obtido por cada um em todo o DF, fica nítida a dependência geográfica das candidaturas:
Pepa: Obteve 15.359 votos no total geral (DF), dos quais expressivos 11.458 saíram de dentro da cidade. Uma taxa de concentração local altíssima, mostrando que quase 75% de sua força política está em casa.
Cláudio Abrantes: Garantiu 20.254 votos no total geral (DF), sua melhor votação mas apenas cerca de 8.500 votos foram em Planaltina. Isso evidencia que a maior parte de sua musculatura eleitoral (quase 12 mil votos) foi colhida fora de Planaltina.
Professor Jordenes: mesmo sufocado pela máquina da época, se saiu muito bem, somou 9.351 votos no total geral (DF), dos quais 4.600 foram conquistados na cidade.
Juntos, os três nomes mais expressivos de Planaltina/Arapoanga somaram pouco mais de 24.500 votos dentro de casa.
Isso significa que quase 70% dos votos de Planaltina e Arapoanga foram pulverizados para candidatos de fora e da cidade menos expressivos. O maior desafio comum do triângulo de ferro é diminuir esse escoamento de votos, especialmente para concorrentes que representam grandes empresas de segurança privada. Esses candidatos tradicionais historicamente ocupam a cidade despejando um exército de cabos eleitorais profissionais, aproveitando-se do alto contingente de trabalhadores do setor que moram em Planaltina/Arapoanga. Conter essa sangria é vital para a sobrevivência de todos.
Pepa (PP): O Candidato da Terra e o teste da expansão
Chances: Baseiam-se na forte identificação com o eleitorado tradicional e no controle do mandato. Pepa provou que sabe fidelizar o voto em Planaltina.
Desafios: Está no PP, partido da governadora Celina Leão. Ao mesmo tempo em que a máquina do GDF garante estrutura, expõe o parlamentar ao desgaste político gerado pelos recentes escândalos do BRB e Banco Master, por força do partido, tem que apoiar a Celina Leão . O fardo de blindar o governo pode limitar sua capacidade de expansão de votos para regiões vizinhas, como Sobradinho, algo obrigatório para bater a alta nota de corte de sua legenda.
O que precisa fazer: Manter o quintal fechado contra os rivais locais e demonstrar independência de Celina para que o desgaste do Buriti não contamine sua base.
Cláudio Abrantes(União): A musculatura distrital contra o canibalismo interno
Chances: É um político de perfil majoritário no DF, amparado por expressivos 20.254 votos em 2022. Sua capilaridade fora de Planaltina é seu grande diferencial competitivo.
Desafios: Joga na mesma Federação (União/PP) que Pepa. Trata-se de um duelo fratricida onde os dois somam para a legenda, mas se canibalizam pelas vagas remanescentes. Além disso, a forte ligação histórica de Cláudio com o ex-governador Ibaneis Rocha, que o sustentou na Secretaria de Cultura mesmo sem mandato, é um ponto sensível diante de todos os escândalos que envolvem seu padrinho político.
O que precisa fazer: Elevar sua média histórica de votos em Planaltina/Arapoanga para a casa dos 12 mil votos pelo menos garantindo que a força de sua base corporativa externa o isole na disputa da chapa da morte.
Professor Jordenes (Avante): O recall comunitário impulsionado pelo “Arrudismo”
Chances: Se em 2022 foi sufocado por concorrer contra deputados que detinham a máquina, hoje a conjuntura virou. Jordenes tem seu coração eleitoral no Arapoanga, onde é amplamente conhecido não por vias sindicais, mas por sua elogiada atuação histórica como diretor de escola pública. Ele surfa em um palanque considerado “saudável”: o Avante integra a coligação majoritária do PSD, partido de Arruda. Com Arruda em franca crescente nas pesquisas de opinião e superando a atual governadora na preferência dos votos, Jordenes vira o canalizador natural desse recall em Planaltina/Arapoanga.
Desafios: Superar o trauma da votação passada e provar ao eleitor que sua candidatura é viável e competitiva frente aos dois concorrentes.
O que precisa fazer: Consolidar-se como o legítimo herdeiro do voto de protesto contra o GDF e unificar a memória afetiva que Arapoanga guarda das grandes obras de Arruda, transformando simpatia em voto nominal.
O Veredicto da Leitura das Urnas
O Triângulo de Ferro está posto e não aceita favoritismos antecipados. A resposta para as urnas dependerá da capacidade de mobilização de cada um: se a estrutura institucional do Buriti falará mais alto para salvar Pepa e Cláudio do canibalismo da federação, ou se o fôlego de oposição e recall popular de Arruda empurrará Jordenes para o topo. A única certeza é que quem conseguir fechar as fronteiras contra os candidatos de fora sairá vencedor desse xadrez político.



