Pré-candidato ao GDF compara realizações de sua gestão com os últimos anos do Distrito Federal e afirma que Brasília deixou de investir em mobilidade e saúde enquanto enfrenta crises sucessivas.
Ao defender sua volta ao Palácio do Buriti, o ex-governador José Roberto Arruda (PSD) fez uma das críticas mais duras à atual gestão durante entrevista ao programa CB.Poder, do Correio Braziliense. Segundo ele, Brasília perdeu a capacidade de executar grandes obras estruturantes e, após mais de uma década, ainda convive com os mesmos gargalos na saúde e na mobilidade urbana.
«”Eu sei fazer metrô. Eu fiz. Eu sei fazer hospital. Eu fiz.”»
A declaração faz referência às obras executadas durante seu governo, especialmente a expansão do metrô até Ceilândia e a construção do Hospital Regional de Santa Maria. Arruda afirmou que, desde sua saída do Buriti, há 16 anos, nenhum novo hospital público foi entregue à população do Distrito Federal e nenhuma nova linha do metrô foi construída.
“O último hospital que se construiu em Brasília foi no meu governo, o de Santa Maria. Tem 16 anos que eu saí e não deram conta de fazer mais nenhum hospital. O metrô estava parado na Praça do Relógio, em Taguatinga. Nós levamos até Ceilândia. Depois disso, não fizeram mais nenhuma linha”, declarou.
A comparação atinge diretamente os governos que administraram o DF desde então, incluindo a atual gestão de Celina Leão (PP), que integrou a chapa de Ibaneis Rocha desde 2023 e assumiu o comando do GDF em março deste ano.
Para Arruda, a falta de investimentos estruturantes ajuda a explicar problemas enfrentados diariamente pela população, como hospitais superlotados, dificuldades de acesso aos serviços públicos e o crescimento desordenado das cidades sem a devida ampliação da infraestrutura de transporte.
O ex-governador afirmou que pretende retomar uma agenda de grandes obras caso volte ao governo. Entre as propostas apresentadas estão a construção dos hospitais do Recanto das Emas, São Sebastião e Sol Nascente, além da expansão do sistema de transporte sobre trilhos para regiões como Gama, Santa Maria, Águas Lindas e Luziânia.
A fala também reforça uma estratégia adotada por Arruda nesta pré-campanha: apresentar sua experiência administrativa como contraponto à atual gestão e sustentar que Brasília deixou de pensar o futuro.
«”Brasília não pode ficar apenas remendando o presente. Precisa voltar a planejar e executar obras que transformem a vida das pessoas”, afirmou.»
Dados objetivos
Segundo registros oficiais, a última expansão operacional do metrô do Distrito Federal ocorreu durante a gestão de Arruda, com a chegada da linha a Ceilândia. Da mesma forma, o Hospital Regional de Santa Maria, inaugurado em 2009, permanece como o último hospital público de grande porte construído integralmente pelo GDF.
A avaliação sobre as causas dessa ausência de novas obras é objeto de disputa política. Enquanto críticos apontam falta de planejamento e prioridade dos governos posteriores, aliados da atual gestão destacam investimentos em reformas, ampliações de unidades existentes e outras áreas da administração pública.
Fonte: Entrevista de José Roberto Arruda ao programa CB.Poder, do Correio Braziliense, em 15 de junho de 2026.



