Paralisação em unidades importantes do DF afeta milhares de pessoas de baixa renda e levanta questionamentos sobre a fiscalização de contratos que somam mais de R$ 31 milhões.
A greve dos trabalhadores dos Restaurantes Comunitários da Estrutural e de Ceilândia Norte colocou milhares de famílias vulneráveis em situação de incerteza alimentar e aumentou a pressão sobre o governo da governadora Celina Leão (PP). Dependentes das refeições oferecidas a preços populares, muitos usuários passaram a enfrentar dificuldades para garantir a alimentação diária após a paralisação iniciada em 11 de junho.
O problema vai além de uma disputa trabalhista. Funcionários denunciam salários atrasados, verbas rescisórias não pagas, desvios de função e condições precárias de trabalho. Enquanto isso, a população mais pobre acaba sendo a principal prejudicada, justamente em um dos programas sociais mais importantes do Distrito Federal.
A empresa responsável pela gestão das unidades, a Servi Gastronomia Industrial, administra contratos que somam cerca de R$ 31,2 milhões. Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF), os repasses do governo estariam em dia e a responsabilidade pelas obrigações trabalhistas seria da terceirizada. Ainda assim, a crise levanta questionamentos sobre a fiscalização e o acompanhamento dos contratos por parte do poder público.
Para reduzir os impactos da paralisação, o GDF disponibilizou ônibus gratuitos para transportar usuários da Estrutural até Arniqueira e moradores de Ceilândia Norte para o Sol Nascente/Pôr do Sol. A medida, porém, é considerada paliativa por usuários que relatam dificuldades de deslocamento e aumento do tempo de espera para conseguir uma refeição.
Os relatos revelam o tamanho do problema. Há trabalhadores que afirmam não ter recebido salários integralmente e ex-funcionários que aguardam verbas rescisórias há meses. Entre os usuários, a preocupação é ainda mais imediata: muitos dependem do restaurante comunitário para fazer a principal refeição do dia.
Diante da repercussão, a Sedes instaurou processo administrativo para apurar possíveis irregularidades e não descarta a rescisão contratual. A situação, no entanto, já expôs uma realidade difícil de ignorar: quando um restaurante comunitário para de funcionar, quem sente primeiro os efeitos são justamente aqueles que têm menos condições de absorver o impacto.
Em um momento de dificuldades fiscais e crescente demanda por programas sociais, a paralisação reacende o debate sobre a eficiência da gestão de contratos essenciais e sobre a capacidade do governo de evitar que a população mais vulnerável pague a conta de falhas administrativas.
Fontes: Correio Braziliense, Metrópoles, Pauta Diária, Jardim Botânico News e Secretaria de Desenvolvimento Social do DF (Sedes-DF)



