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Menina de 11 anos morre após picada de escorpião no Riacho Fundo I


gerardmartincarrasquero – Freepik

Valentina Nobre Lima passou 23 dias internada, teve três paradas cardíacas e não resistiu; caso expõe crescimento de acidentes com escorpiões no Distrito Federal e fragilidades no atendimento

Valentina Nobre Lima, de 11 anos, morreu neste domingo (5) após ser picada por um escorpião dentro de casa, no Riacho Fundo I. A menina foi picada ao calçar um tênis para ir à escola e passou 23 dias internada, sendo 21 deles na UTI. Ela teve três paradas cardíacas, uma delas com duração de 40 minutos. A família relatou que Valentina foi picada no dia 12 de junho e precisou ser transferida entre unidades de saúde até chegar ao Hospital Santa Lúcia, na Asa Norte, onde permaneceu em estado grave.

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O acidente ocorreu em uma residência onde, segundo relatos da família, a presença de escorpiões é frequente. A tia da menina, Claudete Cirino, afirmou que a infestação costuma piorar no final do ano, especialmente em períodos de chuva, e que já foram encontrados mais de 200 animais no imóvel ao longo dos últimos meses. Após a picada, Valentina foi inicialmente atendida no Hospital Regional do Guará, mas, diante da gravidade do quadro, foi transferida para o Hospital Santa Lúcia. Mesmo com a aplicação do soro antiveneno, seu estado de saúde se deteriorou rapidamente.

O caso de Valentina evidencia um problema que tem se agravado no Distrito Federal: o aumento significativo de acidentes com escorpiões, especialmente em regiões periféricas. Nos últimos anos, o número de notificações de picadas cresceu de forma expressiva, atingindo milhares de casos anuais. A expansão urbana desordenada, o acúmulo de entulho e a dificuldade de controle da praga em áreas de ocupação irregular contribuem para que esses animais se proliferem em residências, escolas e espaços públicos, expondo a população, especialmente crianças, a riscos evitáveis.

Morte de Valentina expõe falhas na resposta do sistema de saúde e ausência de políticas efetivas de prevenção contra escorpiões no DF

A trajetória de Valentina entre unidades de saúde também levanta questionamentos sobre a capacidade do sistema público de responder com agilidade a casos graves de envenenamento. A menina precisou ser transferida do Hospital Regional do Guará para o Hospital Santa Lúcia, em outro ponto da cidade, em um momento crítico. Embora a família tenha recebido apoio de vizinhos e realizado vigílias, o desfecho fatal reforça a percepção de que o acesso rápido a tratamento especializado em casos de alta gravidade ainda é limitado, especialmente para moradores de regiões mais distantes do Plano Piloto.

Além da dor da família, o caso de Valentina Nobre Lima coloca em evidência a necessidade de políticas públicas mais efetivas de prevenção e controle de escorpiões no Distrito Federal. Enquanto ações pontuais de combate à praga são realizadas de forma esporádica, a ausência de um programa estruturado de vigilância, educação em saúde e manejo ambiental permite que o problema se agrave ano após ano. A morte de uma criança de 11 anos dentro de sua própria casa, ao realizar uma ação cotidiana como calçar um tênis, revela que o risco está presente no dia a dia de milhares de famílias e que as respostas institucionais ainda são insuficientes.

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