terça-feira, outubro 6, 2026
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Pesquisas de véspera subestimaram Grass; segundo turno abre espaço para crescimento da oposição

Pesquisas de véspera subestimaram Grass; segundo turno abre espaço para crescimento da oposição

Com votação acima do esperado e diferença menor do que a projetada, Leandro Grass parte para a disputa final com margem de expansão entre eleitores dos candidatos eliminados

O resultado do primeiro turno no Distrito Federal não apenas confirmou o segundo turno entre Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT), mas também redesenhou o tamanho da disputa. A governadora terminou com 49,93% dos votos válidos, enquanto Grass alcançou 34,47%, uma diferença de cerca de 15,5 pontos percentuais, bem inferior àquela apontada pelas principais pesquisas de véspera.

Aqueles levantamentos, divulgados nos últimos dias de campanha, projetavam vantagem de Celina na casa dos 21 a 28 pontos e a mantinham acima dos 50% dos válidos, com Grass na faixa dos 20% a 30%. As urnas, porém, entregaram um quadro mais equilibrado. A governadora ficou a apenas 168 votos de evitar o segundo turno, e Grass registrou desempenho superior ao indicado por parte dos institutos.

Essa diferença menor do que a esperada é o ponto de partida para a análise do segundo turno. O que as pesquisas captaram como uma liderança confortável se transformou, lna prática, em uma disputa com espaço real de crescimento para a oposição.

O potencial de expansão de Grass

No segundo turno, os votos dos candidatos eliminados, Paula Belmonte, Ricardo Cappelli, Kiko e demais nomes, passam a ser o principal ativo em disputa. Parte significativa desse eleitorado votou, no primeiro turno, em opções que não se alinhavam automaticamente à atual gestão. A capacidade de Grass de concentrar o voto de oposição e atrair eleitores insatisfeitos com a administração atual se torna, portanto, o principal indicador de possível crescimento.

Diferentemente do primeiro turno, em que o voto se fragmentou, o segundo turno tende a polarizar. Grass chega à disputa final tendo ampliado sua base em relação ao que algumas pesquisas projetavam, o que sugere que sua campanha conseguiu mobilizar além do núcleo tradicional. Esse desempenho acima do esperado abre a possibilidade de que a transferência de votos dos derrotados ocorra de forma mais favorável à oposição do que o cenário de véspera indicava.

Nova fotografia eleitoral

As simulações de segundo turno divulgadas antes da eleição ainda mostravam Celina à frente. O resultado das urnas, no entanto, alterou a dimensão do desafio. Com uma diferença efetiva menor e uma votação de Grass superior à média das pesquisas finais, o segundo turno deixa de ser uma mera repetição dos números do primeiro e passa a depender de fatores dinâmicos: alianças, rejeição de cada candidatura, mobilização territorial e capacidade de persuasão dos eleitores que ainda não decidiram.

Celina parte numericamente à frente e com estrutura política consolidada. Grass, por sua vez, entra na disputa final com um indicativo claro de crescimento relativo: superou as projeções de véspera, reduziu a distância projetada e agora disputa o voto de um eleitorado que, no primeiro turno, optou por caminhos alternativos.

A pergunta que se coloca a partir de agora não é mais se haverá segundo turno, mas o quanto Grass consegue avançar sobre a diferença de 15,5 pontos. Os números das urnas já mostraram que a vantagem de Celina era menor do que as pesquisas de última hora sugeriam. O segundo turno começa, portanto, com a oposição em posição de potencial expansão, e a fotografia eleitoral, desta vez, é outra.

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