terça-feira, março 31, 2026
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CLDF destaca luta por moradia ao celebrar 55 anos de Ceilândia


CLDF destaca luta por moradia ao celebrar 55 anos de Ceilândia

Sessão solene exaltou história de resistência dos moradores da região administrativa

A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) homenageou os 55 anos da região administrativa de Ceilândia, completados em 27 de março. Sessão solene embalada por hip-hop e histórias de luta da população marcou a data. O evento ocorreu no Sesc Ceilândia, por iniciativa do deputado distrital Max Maciel (PSOL).

 

“É a história de nordestinos que vieram construir Brasília, mas não tiveram direito à cidade. Mentiram, dizendo que nós não cabíamos na capital e nos colocaram a 26 km de distância”, disse o parlamentar, que nasceu e cresceu em Ceilândia, onde mora até hoje, aos 43 anos.

A região administrativa tem origem na Campanha de Erradicação de Invasões (CEI), realizada em 1971. Naquele ano, cerca de 82 mil moradores de ocupações irregulares foram transferidos para os setores M e N ao norte de Taguatinga. Aos poucos, o local se tornou a região administrativa mais populosa do DF, atualmente com 287 mil pessoas.

Max Maciel ressaltou que, ao longo do tempo, Ceilândia se transformou em uma potência econômica, com forte mercado consumidor e destaque na fabricação de móveis e na produção cultural, entre outras áreas. “Nós movimentamos bilhões de reais, mas demoramos a ser percebidos como uma capital de potencialidades”, analisou o parlamentar, apontando que o estigma da violência atrasou o desenvolvimento local.

Durante o evento, o deputado fez a entrega de moções de louvor a pessoas importantes para Ceilândia, entre elas o ex-deputado distrital e ex-senador Eurípedes Camargo. Ele foi um dos primeiros parlamentares a representar a região administrativa e um dos fundadores do Movimento dos Incansáveis Moradores de Ceilândia.
 

A deputada federal Erika Kokay, o ex-deputado e ex-senador Eurípedes Camargo e o deputado distrital Max Maciel. Foto: Comunicação / Max Maciel

“Nós criamos o movimento para discutir o problema da moradia. Nós não tínhamos como pagar os valores cobrados pela Terracap [Agência de Desenvolvimento do DF] pelos lotes”, contou Eurípedes, referindo-se às terras destinadas pelo governo às famílias removidas de invasões.

Outra homenageada foi a professora Gina Vieira. “Eu tenho memória de infância correndo atrás de carro-pipa e passando goma de maisena no jornal para tapar os buracos do barraco, porque fazia um frio inacreditável quando Ceilândia começou”, lembrou.
 

A professora Gina Vieira Ponte. Foto: Comunicação / Max Maciel

“Em Ceilândia, eu aprendi sobre a força da vida em comunidade e sobre o peso dos estigmas nos nossos corpos. Nascer na Ceilândia era carregar um corpo forjado na violência, no estigma, mas também na coragem e na força”, afirmou Gina Vieira, citando episódios de preconceito.

Além dos discursos e homenagens, o evento contou com apresentação do rapper ceilandense Nenzin Mc, que agradeceu “os caminhos abertos” por outros artistas de Ceilândia, como os rappers “X”, da banda Câmbio Negro, e “Japão”, do grupo Viela 17. A solenidade ainda teve a participação do rapper Cafiero, de Belo Horizonte.

A sessão solene também foi prestigiada pela senadora Leila Barros (PDT-DF); pelos deputados Erika Kokay (PT-DF) e Reginaldo Veras (PT-DF); pelo administrador de Ceilândia, Dilson de Almeida; além de representantes da Secretaria de Saúde e da Secretaria de Educação, entre outros.

O evento foi transmitido pela TV Câmara Distrital e pode ser assistido novamente pelo YouTube da emissora.



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