terça-feira, abril 28, 2026
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Celina Mãos de Tesoura

A governadora corta.

Corta 25%.
Corta contratos.
Corta salários.
Corta o futuro parcelado.

Economia de bisturi com mão de açougue.

Celina Mão de Tesoura.

Não a de Johnny Depp.
Outra. Tropical. Fiscal. Eleitoral.

Aqui o corte não é estético.
É orçamentário. Narrativo. Existencial.

Corta o aniversário da cidade.
Corta a festa — para pagar a conta da festa anterior.

Brasília faz aniversário.
Ganha contingenciamento.

Parabéns.

Corta também o passado.

Sete anos ao lado de Ibaneis Rocha.
Corta o vínculo.
Corta a memória.
Corta a biografia em parcelas convenientes.

Mas no sábado:
carne, cerveja, abraço.

Gratidão.

Corta durante a semana.
Abraça no fim de semana.

Tesoura de segunda a sexta.
Confraternização no sábado.

Corta aliados.

Desalinha partido.
Arranha pontes.
Testa limites com Flávio Bolsonaro.

Corta a base onde pisa.

Equilíbrio por subtração.

Corta a lógica.

Anuncia solução para o banco.
O mercado responde: Himalaia de dúvida.

Promessa vertical.
Viabilidade horizontal.

Nenhuma das duas se encontra.

Corta a crítica.

É fake news.
É perseguição.
É narrativa.

Quando tudo é ataque, nada é erro.

A tesoura também edita a realidade.

Corta o tempo.

“Vamos ganhar antes da campanha.”

Antes.
Sempre antes.

O processo é um detalhe.
O resultado, uma intenção.

E por fim:

corta a si mesma.

A governadora que se separa da própria história.
Que governa contra o próprio governo.
Que corrige o que ajudou a construir.

Autofagia sem digestão.

Nem antropofagia à la Oswald de Andrade.
Aqui não se devora para reinventar.

Corta-se para esquecer.

Celina Mão de Tesoura.

No lugar das mãos, cortes.
No lugar do projeto, contenção.
No lugar da continuidade, ruptura seletiva.

E o Distrito Federal?

Assiste.

Em fatias.

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