sexta-feira, maio 15, 2026
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Celina faz revogação “para inglês ver” de compra do Master já liquidado pelo Banco Central 

Governo tenta anular lei sem efeito prático, enquanto BRB ainda enfrenta prejuízos bilionários ligados ao caso Banco Master

Revogação enviada à CLDF tem efeito prático nulo, já que o Banco Central liquidou o Banco Master em novembro de 2025 após crise bilionária; BRB segue enfrentando prejuízos com ativos considerados problemáticos

A governadora Celina Leão enviou à Câmara Legislativa um projeto para revogar a Lei nº 7.739/2025, norma que autorizava o BRB a comprar parte do Banco Master. O problema é que, na prática, a medida chega tarde demais e tem efeito praticamente nulo: o Banco Master já havia sido liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, tornando impossível qualquer operação de compra ou venda da instituição.

Nos bastidores políticos e econômicos do DF, a iniciativa foi vista mais como uma tentativa de “limpeza política” e de afastamento do desgaste causado pelo escândalo do que uma medida com impacto real sobre a crise.

A lei que autorizava a operação havia sido aprovada pela CLDF e sancionada ainda no governo Ibaneis Rocha, permitindo ao BRB avançar na compra de participação relevante do Banco Master. Entretanto, antes que o negócio pudesse ser concluído, o Banco Central vetou a operação após identificar alto risco financeiro e problemas graves na situação patrimonial da instituição.

Poucos meses depois, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e de empresas ligadas ao grupo, alegando grave crise de liquidez, comprometimento financeiro e violações às normas do Sistema Financeiro Nacional.

O colapso gerou o maior acionamento da história do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com estimativas superiores a R$ 41 bilhões para cobrir prejuízos de credores e investidores.

Enquanto isso, o BRB permaneceu exposto aos efeitos da relação com o Master. As investigações da Operação Compliance Zero apontam que o banco público do DF adquiriu mais de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito consideradas problemáticas, sem lastro suficiente ou com fortes indícios de superavaliação.

O impacto financeiro dessas operações ainda é alvo de apuração, mas estimativas apontam prejuízos bilionários no balanço do BRB, com necessidade de recapitalização e venda de ativos para evitar agravamento da crise.

Por isso, críticos da medida afirmam que a revogação da lei não altera os danos já causados ao banco público nem elimina os efeitos políticos e financeiros da operação. O negócio, na prática, já estava morto desde a decisão do Banco Central em novembro de 2025.

A iniciativa do governo agora é interpretada por adversários políticos como uma tentativa de reconstruir narrativa pública em meio ao desgaste provocado pelo caso Master, pela crise do BRB e pelas investigações conduzidas pela Polícia Federal.

Foto Original: Paulo H. Carvalho / Agência Brasília. Foto publicada tem montagem de IA.

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