Governo tenta anular lei sem efeito prático, enquanto BRB ainda enfrenta prejuízos bilionários ligados ao caso Banco Master
Revogação enviada à CLDF tem efeito prático nulo, já que o Banco Central liquidou o Banco Master em novembro de 2025 após crise bilionária; BRB segue enfrentando prejuízos com ativos considerados problemáticos
A governadora Celina Leão enviou à Câmara Legislativa um projeto para revogar a Lei nº 7.739/2025, norma que autorizava o BRB a comprar parte do Banco Master. O problema é que, na prática, a medida chega tarde demais e tem efeito praticamente nulo: o Banco Master já havia sido liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, tornando impossível qualquer operação de compra ou venda da instituição.
Nos bastidores políticos e econômicos do DF, a iniciativa foi vista mais como uma tentativa de “limpeza política” e de afastamento do desgaste causado pelo escândalo do que uma medida com impacto real sobre a crise.
A lei que autorizava a operação havia sido aprovada pela CLDF e sancionada ainda no governo Ibaneis Rocha, permitindo ao BRB avançar na compra de participação relevante do Banco Master. Entretanto, antes que o negócio pudesse ser concluído, o Banco Central vetou a operação após identificar alto risco financeiro e problemas graves na situação patrimonial da instituição.
Poucos meses depois, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e de empresas ligadas ao grupo, alegando grave crise de liquidez, comprometimento financeiro e violações às normas do Sistema Financeiro Nacional.
O colapso gerou o maior acionamento da história do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com estimativas superiores a R$ 41 bilhões para cobrir prejuízos de credores e investidores.
Enquanto isso, o BRB permaneceu exposto aos efeitos da relação com o Master. As investigações da Operação Compliance Zero apontam que o banco público do DF adquiriu mais de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito consideradas problemáticas, sem lastro suficiente ou com fortes indícios de superavaliação.
O impacto financeiro dessas operações ainda é alvo de apuração, mas estimativas apontam prejuízos bilionários no balanço do BRB, com necessidade de recapitalização e venda de ativos para evitar agravamento da crise.
Por isso, críticos da medida afirmam que a revogação da lei não altera os danos já causados ao banco público nem elimina os efeitos políticos e financeiros da operação. O negócio, na prática, já estava morto desde a decisão do Banco Central em novembro de 2025.
A iniciativa do governo agora é interpretada por adversários políticos como uma tentativa de reconstruir narrativa pública em meio ao desgaste provocado pelo caso Master, pela crise do BRB e pelas investigações conduzidas pela Polícia Federal.
Foto Original: Paulo H. Carvalho / Agência Brasília. Foto publicada tem montagem de IA.



