Comitê de Ética da universidade suspendeu pesquisa de Celina Lazzari por opiniões em redes sociais e entrevista
A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) suspendeu o doutorado de Celina Lazzari após ela emitir opiniões nas redes sociais e conceder entrevista sobre intervenção hormonal em crianças com disforia de gênero. A pesquisadora cursa doutorado no Departamento de Serviço Social com projeto sobre “A escuta do assistente social na infância e questões de gênero”.
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Em março deste ano, o Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos (CEPSH) da UFSC determinou a suspensão temporária da pesquisa. O comitê se baseou em publicações de Lazzari nas redes sociais e em entrevista à Gazeta do Povo, e não em irregularidades no projeto de pesquisa. A pesquisadora é diretora da Matria, ONG que se posiciona contra intervenções hormonais em crianças com disforia de gênero.
Além da suspensão, o comitê exigiu que Lazzari entregasse cópias de entrevistas, textos de opinião e publicações em redes sociais. Em maio, ela obteve decisão liminar da Justiça Federal de Santa Catarina autorizando a continuidade do doutorado. A liminar foi confirmada por sentença.
A UFSC suspendeu doutorado de Celina Lazzari por opiniões sobre tratamento de crianças trans, e não por falhas no projeto de pesquisa.
O juiz Diógenes Tarcísio Marcelino Teixeira escreveu que a suspensão não se fundou em irregularidade da pesquisa, mas em “desconforto com as posições expressas pela pesquisadora em contextos externos ao ambiente acadêmico”. O procurador do MPF, Maurício Gotardo Gerum, manifestou-se a favor da decisão judicial. Lazzari defendeu a tese em junho e foi aprovada.
O caso reacende o debate sobre liberdade acadêmica e o limite entre pesquisa e opiniões pessoais. A UFSC ainda não se manifestou sobre a decisão judicial. A suspensão temporária do doutorado de Lazzari gerou críticas de setores que defendem a liberdade de expressão no ambiente universitário.
A pesquisadora defende que o projeto de doutorado não foi afetado pelas opiniões externas. A decisão judicial reforça que o comitê extrapolou suas atribuições ao exigir prestação de contas de materiais sem relação com o protocolo de pesquisa aprovado. O caso pode servir de precedente para outros debates sobre liberdade de expressão em universidades federais.
A suspensão do doutorado de Celina Lazzari por opiniões sobre protocolo trans para crianças gerou debate nacional sobre os limites da atuação de comitês de ética em universidades. A decisão judicial que permitiu a continuidade do trabalho reforça a proteção à liberdade acadêmica e à manifestação de ideias fora do ambiente de pesquisa. A UFSC e o CEPSH ainda não se manifestaram sobre o desfecho do caso.
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