segunda-feira, junho 22, 2026
InícioGOAnemia e leucemia | Portal da Alego

Anemia e leucemia | Portal da Alego


Junho é o mês de conscientização sobre duas doenças que, embora distintas, têm algo em comum: afetam o sangue e podem comprometer seriamente a saúde quando não são diagnosticadas e tratadas precocemente.

A campanha Junho Laranja busca ampliar o conhecimento da população sobre a anemia e a leucemia, reforçando a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento.

Os números ajudam a dimensionar o desafio. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a anemia afeta cerca de 30% da população mundial, o equivalente a aproximadamente 2,2 bilhões de pessoas.

Já a leucemia, um dos principais tipos de câncer hematológico, continua registrando crescimento no número de casos no Brasil. Dados da Estimativa 2026 – Incidência de Câncer no Brasil, divulgada pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), apontam que cerca de 12.220 novos diagnósticos de leucemia deverão ser registrados neste ano, um aumento de aproximadamente 21% em relação à projeção feita há uma década.

Embora possuam causas e tratamentos diferentes, especialistas destacam que ambas exigem atenção aos sintomas e acompanhamento médico adequado. Em muitos casos, a identificação precoce da doença é determinante para aumentar as chances de sucesso terapêutico e reduzir complicações.

Leucemia: quando a medula óssea deixa de funcionar corretamente

A leucemia é um tipo de câncer que afeta as células produzidas na medula óssea, tecido localizado no interior dos ossos responsável pela fabricação dos glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas.

A doença surge quando uma dessas células sofre alterações genéticas que provocam sua multiplicação descontrolada. Com o avanço do processo, as células anormais passam a ocupar o espaço da medula óssea e comprometem a produção das células sanguíneas saudáveis. Em muitos casos, a origem da leucemia permanece desconhecida. No entanto, fatores genéticos e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença.

As leucemias são classificadas de acordo com a velocidade de progressão e o tipo de célula afetada. As formas agudas apresentam evolução rápida e demandam tratamento imediato. Já as formas crônicas tendem a se desenvolver mais lentamente.

Entre os principais tipos estão: leucemia linfoide aguda (LLA), mais frequente em crianças; leucemia linfoide crônica (LLC), geralmente diagnosticada em adultos acima dos 50 anos; leucemia mieloide aguda (LMA), considerada a forma mais comum entre adultos e caracterizada pela rápida evolução; e leucemia mieloide crônica (LMC), que costuma acometer principalmente idosos.

Apesar de poder surgir em qualquer faixa etária, a leucemia é o câncer mais frequente na infância. Considerando todos os tipos de câncer, excetuando os tumores de pele não melanoma, a doença ocupa posição de destaque entre as neoplasias mais incidentes no país.

Sinais que não devem ser ignorados

Os sintomas da leucemia geralmente estão relacionados à redução das células sanguíneas normais. A diminuição dos glóbulos vermelhos pode causar anemia, resultando em cansaço excessivo, fraqueza e falta de disposição.

Quando há queda dos glóbulos brancos, o organismo torna-se mais vulnerável a infecções. Já a redução das plaquetas favorece sangramentos e o aparecimento de hematomas. Entre os sinais mais comuns estão: febre persistente; cansaço intenso; perda de peso sem explicação; infecções frequentes; sangramentos nas gengivas ou nariz; manchas roxas pelo corpo; dores ósseas e articulares; aumento dos gânglios linfáticos e aumento do baço.

O diagnóstico geralmente começa com exames laboratoriais simples, como o hemograma. Caso sejam identificadas alterações sugestivas, o paciente pode ser encaminhado para exames mais específicos, incluindo o mielograma e testes moleculares.

Avanços aumentam a expectativa de vida

Nas últimas décadas, os tratamentos para leucemia evoluíram significativamente. A quimioterapia continua sendo uma das principais ferramentas terapêuticas, mas novas abordagens vêm ampliando as possibilidades de controle da doença. Entre elas estão as terapias-alvo, a imunoterapia e o transplante de medula óssea.

Um estudo internacional publicado em 2025 e conduzido por pesquisadores chineses analisou dados de 204 países entre 1990 e 2021. Os resultados mostraram que, embora o número de diagnósticos tenha aumentado 28% no período, houve redução de 16% nos anos de vida perdidos devido à doença, reflexo dos avanços terapêuticos e do maior acesso aos tratamentos.

Apesar dos progressos, os pesquisadores observaram importantes desigualdades entre países ricos e de baixa renda. Locais com menor acesso aos serviços de saúde ainda apresentam maiores índices de mortalidade e diagnósticos realizados em estágios avançados.

A história de Davi é apenas uma entre milhares de vidas transformadas pelo diagnóstico precoce, pelo avanço dos tratamentos e pelo trabalho de profissionais dedicados à oncologia pediátrica. Casos como o dele demonstram que, embora o câncer infantil ainda represente um dos maiores desafios da medicina, a doença pode ser vencida quando identificada a tempo e tratada de forma adequada.

Hoje, prestes a completar 18 anos, Davi leva uma vida comum. Estuda, faz planos para o futuro e compartilha com os amigos as experiências típicas da juventude. Marcas físicas da doença não existem mais, mas a experiência deixou cicatrizes emocionais e ensinamentos profundos para toda a família.

Para Eunice, cada conquista do filho tem um significado especial. O ingresso na vida adulta, que para muitos pais representa apenas mais uma etapa natural do crescimento, para ela simboliza a concretização de uma vitória construída dia após dia, consulta após consulta e oração após oração.

Dezessete anos após o diagnóstico que mudou a rotina da família, a leucemia ficou para trás. “Quando olho para o Davi hoje, vejo a prova de que valeu a pena não perder a esperança. Foram anos difíceis, mas Deus nos sustentou e colocou pessoas maravilhosas em nosso caminho. Ver meu filho chegando aos 18 anos é um presente que eu celebro todos os dias”, afirma Eunice.

A proximidade da maioridade faz com que Davi reflita sobre a própria trajetória. Mesmo sem guardar muitas lembranças do tratamento, ele compreende a dimensão do que viveu. “Eu sei que sobrevivi a algo muito sério. Talvez eu não me lembre de tudo, mas carrego comigo a gratidão por estar aqui, saudável, podendo sonhar e construir minha vida”, diz.

Embora não exista uma causa única identificada para a leucemia, algumas atividades profissionais estão associadas a maior risco de desenvolvimento da doença. O Ministério da Saúde inclui entre os grupos mais vulneráveis trabalhadores expostos a agrotóxicos, solventes industriais, derivados da indústria petroquímica, borrachas, resinas, plásticos e radiação ionizante.

Por esse motivo, especialistas reforçam a importância do uso adequado de equipamentos de proteção individual e da adoção de medidas de segurança nos ambientes de trabalho. Além dos impactos físicos, a leucemia costuma provocar profundas mudanças na rotina dos pacientes e familiares. O tratamento pode se estender por meses ou anos, exigindo acompanhamento médico contínuo e suporte emocional, social e financeiro.

Ações no Legislativo

Além das iniciativas desenvolvidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o fortalecimento da assistência aos pacientes com leucemia também tem sido pauta de discussão no Legislativo goiano. Na Assembleia Legislativa de Goiás, tramitam projetos de lei que buscam ampliar as políticas públicas voltadas à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento da doença.

Uma das propostas é o projeto de lei nº 11598/25, de autoria do deputado estadual Paulo Cezar Martins (MDB). A matéria propõe a criação da Política Estadual de Apoio ao Paciente com Leucemia, com o objetivo de garantir atendimento integral, contínuo e humanizado às pessoas diagnosticadas com a doença.

Entre as medidas previstas estão o acesso universal aos serviços de saúde, o suporte psicossocial a pacientes e familiares, a ampliação do acesso a medicamentos e exames, a assistência jurídica e a integração entre órgãos públicos e instituições parceiras.

O texto também prevê a criação de centros de referência para tratamento da leucemia nas macrorregiões de saúde do Estado, voltados ao diagnóstico precoce, atendimento multidisciplinar e capacitação de profissionais.

Outra proposta em tramitação é o projeto de lei nº 9831/24, de autoria do deputado estadual Dr. George Morais (MDB), que institui o Programa Leucemia Goiás. A iniciativa tem como foco principal a identificação precoce dos casos da doença em crianças e adultos residentes no Estado.

O programa prevê campanhas de conscientização sobre sintomas e fatores de risco, capacitação de profissionais da atenção primária para identificação de sinais suspeitos, estabelecimento de protocolos para diagnóstico precoce e ampliação do acesso a exames laboratoriais e avaliações especializadas.

A proposta também busca garantir encaminhamento rápido ao tratamento adequado e suporte aos pacientes durante o enfrentamento da doença.

As duas matérias integram o conjunto de políticas públicas em discussão no Estado de Goiás para fortalecer a rede de atenção aos pacientes com leucemia, ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e contribuir para melhores resultados no tratamento da doença.

Anemia continua sendo um desafio para a saúde pública

Enquanto a leucemia é um câncer hematológico, a anemia representa um conjunto de condições caracterizadas pela redução da hemoglobina no sangue, proteína responsável pelo transporte de oxigênio para todas as células do organismo.

A forma mais comum é a anemia por deficiência de ferro, conhecida como anemia ferropriva, responsável por aproximadamente 90% dos casos. No Brasil, o problema afeta principalmente crianças, mulheres em idade fértil, gestantes, adolescentes em fase de crescimento e idosos.

Dados da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS) revelaram que cerca de 20,9% das crianças brasileiras menores de cinco anos apresentam anemia, o equivalente a aproximadamente três milhões de casos.

Entre as mulheres, a prevalência nacional é de 29,4%, sendo mais elevada nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul. Diversos estudos realizados no país indicam que a situação pode ser ainda mais preocupante. Em algumas localidades, a prevalência da anemia em crianças ultrapassa 50%, especialmente entre aquelas atendidas em creches, escolas e unidades básicas de saúde.

Levantamento realizado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) identificou 135.988 internações por anemia ferropriva no Brasil entre 2014 e 2024. As regiões Sudeste e Nordeste concentraram aproximadamente 68% dos casos registrados. As mulheres responderam por 58% das hospitalizações.

Os idosos constituíram o grupo mais afetado. Pessoas com 60 anos ou mais representaram quase metade das internações, enquanto a faixa etária acima de 80 anos registrou o maior número absoluto de casos. No mesmo período, foram contabilizados 5.946 óbitos relacionados à doença.

Segundo especialistas, a anemia não deve ser encarada como um problema simples ou apenas nutricional. Em muitos casos, ela funciona como um sinal de alerta para outras doenças que precisam ser investigadas.

Nem toda anemia é causada pela falta de ferro

Embora a deficiência de ferro seja a principal causa, existem diferentes tipos de anemia. A anemia megaloblástica, por exemplo, ocorre devido à deficiência de vitamina B12 e ácido fólico, nutrientes fundamentais para a formação das células sanguíneas.

Já a anemia falciforme e a talassemia possuem origem genética e afetam diretamente a estrutura da hemoglobina. A anemia aplásica é mais rara e está relacionada a falhas da medula óssea, que deixa de produzir adequadamente as células do sangue.

Existe ainda a anemia hemolítica autoimune, na qual o próprio sistema imunológico passa a destruir as hemácias; e a anemia associada a processos inflamatórios crônicos, frequentemente observada em pacientes com doenças autoimunes, infecções persistentes ou outras enfermidades de longa duração.

Por isso, especialistas reforçam que o diagnóstico correto é indispensável para definir o tratamento adequado. De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Anemia por Deficiência de Ferro, do Ministério da Saúde, a falta de ferro compromete a produção normal das hemácias.

Entre as causas mais frequentes estão alimentação inadequada, perdas sanguíneas recorrentes, gravidez, cirurgias e doenças que dificultam a absorção do mineral. Os sintomas incluem cansaço excessivo, fraqueza, sonolência, dificuldade de concentração, boca seca, síndrome das pernas inquietas e até desejos incomuns de ingerir substâncias como gelo, terra ou papel.

O tratamento geralmente é realizado com suplementação de ferro por via oral, considerada a primeira linha terapêutica por sua eficácia e baixo custo. A recuperação dos níveis de hemoglobina costuma ocorrer gradualmente ao longo de semanas, enquanto a reposição completa das reservas de ferro pode levar até seis meses.

Políticas públicas ajudam a combater a doença

Diante da elevada prevalência da anemia ferropriva, o Governo Federal desenvolve ações de prevenção há mais de duas décadas. Em 1999, o Ministério da Saúde lançou o Compromisso Social para a Redução da Anemia Ferropriva no Brasil, iniciativa voltada à promoção da alimentação saudável, suplementação de ferro para grupos vulneráveis e fortificação de alimentos.

Entre as medidas implementadas estão a adição obrigatória de ferro às farinhas de trigo e milho e a criação do NutriSUS, programa voltado à fortificação da alimentação infantil com vitaminas e minerais para crianças de seis a 48 meses.

A mensagem central do Junho Laranja é que tanto a leucemia quanto a anemia apresentam melhores resultados quando identificadas precocemente. A atenção aos sintomas, a realização de exames de rotina e a busca por avaliação médica diante de sinais persistentes podem contribuir para diagnósticos mais rápidos e tratamentos mais eficazes.

Em um cenário em que milhões de brasileiros convivem com essas doenças, a informação continua sendo uma das ferramentas mais importantes para a prevenção, o controle e a promoção da saúde.



Source link

RELATED ARTICLES

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Advertisment -
Google search engine

Most Popular

Recent Comments