Arruda elegível: tentativa de impugnação mira nas urnas, não na lei
A candidatura de José Roberto Arruda ao Governo do Distrito Federal mal foi protocolada no TRE-DF e já virou alvo de impugnação. No sábado (15), o ex-administrador regional do Sol Nascente e candidato a deputado distrital pelo Democratas, Cláudio Ferreira Domingues, protocolou ação pedindo que a Justiça Eleitoral barre o registro do ex-governador (PSD). O argumento: Arruda soma mais de uma condenação por improbidade administrativa e parte delas ainda produziria efeitos de inelegibilidade em 2026.
Vale destacar o contexto político de quem move a ação. Domingues foi administrador no atual governo e seu partido integra a base de apoio da candidatura da governadora Celina Leão, também postulante à reeleição. Arruda rebateu na hora. Chamou Domingues de “pau-mandado da Celina” e classificou a ação como manobra para tentar se reeleger sem precisar vencer nas urnas. A reação não é apenas retórica.
Há um ponto jurídico que a impugnação tenta contornar: após a primeira decisão colegiada, o prazo de inelegibilidade já expirou. A própria certidão eleitoral de Arruda aponta que ele está quite com a Justiça Eleitoral. Em outras palavras: as condenações existem, mas o prazo que realmente conta — o da primeira decisão colegiada, já passou. As demais não “reiniciam” o relógio da inelegibilidade como a impugnação pretende. Por isso, as chances de a Justiça Eleitoral acatar o pedido e tirar Arruda da disputa são consideradas remotas por quem acompanha a jurisprudência.
A movimentação revela mais do que uma disputa técnica. Arruda voltou ao centro do tabuleiro: participou do primeiro debate na Band ao lado de Celina Leão, Ricardo Cappelli, Leandro Grass, Paula Belmonte e Kiko Caputo. Não é um nome marginal. Quem tenta tirá-lo agora, logo após o registro, sabe o peso que ele carrega.
Impugnar candidatura é direito legítimo. Usar o Judiciário para tentar fazer o que as urnas talvez não façam é outra coisa. Arruda já foi barrado em 2014 e em 2022. Em 2026, a tentativa se repete no momento em que a campanha oficialmente começa. A narrativa que se forma é previsível: “não querem me enfrentar nas urnas”.
Se a Justiça mantiver o registro, Arruda entra na disputa com um discurso de enfrentamento reforçado. Se a impugnação prosperar, cenário juridicamente frágil , quem se beneficia da sua ausência terá que explicar por que preferiu o tapetão ao voto.
O jogo de 2026 no DF já começou. E, desta vez, a Justiça Eleitoral também é palco.




