Especialista em segurança pública e policial federal afirma que servidores de Estado não podem ser transformados em instrumentos de disputas políticas
A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada, provocou uma reação na instituição.
Nesta terça-feira (8), 11 diretores da Polícia Federal manifestaram apoio aos dois dirigentes e colocaram os próprios cargos à disposição do diretor-geral substituto, William Marcel Murad.
A decisão de Mendonça foi submetida à Segunda Turma do STF, que formou maioria para mantê-la. O julgamento, no entanto, foi suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Com isso, o afastamento preventivo permanece em vigor enquanto o caso aguarda nova deliberação.
O episódio abriu uma nova frente de tensão institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal e reacendeu o debate sobre autonomia, independência e limites entre as instituições de Estado.
Mestre em criminologia, policial federal e candidato a deputado federal, Flávio Werneck avalia que o momento exige respeito à Constituição e preservação da Polícia Federal como instituição de Estado.
“Antes de qualquer cargo, somos cidadãos. E o policial federal, além de exercer uma função essencial de Estado, vive a mesma realidade da sociedade que jurou proteger. Por isso, diante da crise institucional que envolve o STF e a Polícia Federal, é preciso ter coragem para defender princípios: nenhuma autoridade está acima da Constituição, assim como nenhuma instituição pode ser julgada ou enfraquecida por atos individuais que devem ser apurados com independência, transparência e devido processo legal. A Polícia Federal é formada, em sua imensa maioria, por homens e mulheres que trabalham com seriedade, enfrentam o crime organizado, a corrupção e grandes estruturas criminosas e servem ao país independentemente de governos ou partidos.
Não aceitaremos a tentativa de transformar servidores de Estado em instrumentos de disputas políticas ou de colocar sob suspeita toda a Policia Federal. O Brasil precisa de equilíbrio entre os Poderes, respeito às instituições e limites claros para todos. Defender uma Polícia Federal forte, autônoma e respeitada é defender o cidadão, a democracia e a própria República.”
Para Werneck, a crise deve ser utilizada para abrir TODO O SIGILO das investigações. Doa a quem doer. Segundo ele, as atuais ações “politicas” do STF comprometem a credibilidade da maior instituição responsável pelo enfrentamento ao crime organizado e à corrupção no Brasil.



