O que era para ser uma demonstração de força política na estratégica região administrativa de Santa Maria acabou se transformando no símbolo de um governo que patina para se conectar com as ruas. O primeiro grande evento de pré-campanha da governadora Celina Leão (PP) expôs um cenário de isolamento popular e acendeu a luz vermelha nos bastidores do Palácio do Buriti: o público minguado escancarou que a máquina pública, por si só, não tem sido capaz de gerar entusiasmo.
O fracasso de público ganha contornos ainda mais graves diante do investimento financeiro realizado. *Segundo especialistas que conversaram com a reportagem sob a condição de anonimato, estima-se que a estrutura montada para o evento tenha custado entre R$ 200 mil e R$ 300 mil reais* um montante expressivo de recursos que resultou em imagens desalentadoras de cadeiras vazias e um visível desânimo.
A população não se deixa enganar
O esvaziamento do evento envia um recado claro das urnas para 2026: a população não se deixou enganar pelo marketing institucional. Quem vive o dia a dia do Distrito Federal enxerga o abismo entre as promessas da gestão e a dura realidade das cidades. O eleitorado preferiu ignorar o palanque governista porque sente na pele o colapso da saúde pública, o abandono e a falta de cuidado com a infraestrutura das regiões administrativas, os engarrafamentos quilométricos diários, o metrô quebrando constantemente e a humilhação dos ônibus superlotados.
Para o morador do DF, a conta simplesmente não fecha. Enquanto o governo gasta centenas de milhares de reais em megaestruturas de pré-campanha, os serviços básicos minguam.
Boicote interno e pressão sobre comissionados
A “pimenta” dos bastidores políticos revela que o problema de Celina Leão vai além do eleitor comum; há uma crise de engajamento dentro de sua própria base. Deputados distritais da base governista não se mobilizaram para carregar o piano da governadora, evidenciando que o apoio parlamentar pode ser muito mais frágil e pragmático do que se imagina.
Pior ainda: nem mesmo os ocupantes de cargos comissionados compareceram em massa, apesar de relatos de forte pressão interna para o comparecimento obrigatório. Quando o próprio funcionalismo indicado pelo governo prefere boicotar ou ignorar uma convocação expressa, o sinal de que o “barco está afundando” fica difícil de esconder.
O fantasma de Arruda e o erro estratégico
Escolher Santa Maria para o pontapé inicial da pré-campanha também se mostrou um erro estratégico crasso. A cidade é historicamente conhecida como um reduto eleitoral muito forte do ex-governador José Roberto Arruda, principal concorrente de Celina Leão na disputa pelo Buriti.
Ao tentar invadir o território do adversário sem o devido respaldo popular e político, o grupo de Celina Leão acabou sofrendo uma derrota acachapante em praça pública. Em vez de projetar liderança, o fiasco em Santa Maria consolidou a percepção de que a atual gestão enfrenta uma rejeição silenciosa, mas avassaladora, e que o favoritismo para 2026 está derretendo antes mesmo da campanha oficial começar.



