Guerra no cofre do PSD-DF: Pitiman, Paulo Octávio e Lucas Kontoyanis entram em confronto no hotel Manhattan pelos R$ 11 milhões do fundo eleitoral
Segundo o BSB Times, o que deveria ser apenas mais uma reunião de articulação eleitoral no primeiro andar do Hotel Manhattan, no Setor Hoteleiro Norte, virou um verdadeiro campo de batalha pelo controle dos recursos da legenda.
De acordo com a reportagem do portal, participavam do encontro o candidato a vice-governador Luiz Pitiman o presidente do PSD-DF Paulo Octávio e o coordenador da nominata de distritais Lucas Kontoyanis. O clima, segundo o BSB Times, foi de forte tensão, cobranças abertas e desconforto generalizado.
A conta dos R$ 11 milhões chegou à mesa
Nos bastidores, a discussão girou em torno de compromissos financeiros firmados na montagem da nominata e da forma como os recursos do fundo eleitoral estariam sendo administrados e distribuídos.
Segundo o BSB Times, Lucas Kontoyanis teria feito cobranças duras relacionadas a acordos firmados quando nomes sob sua influência entraram na lista do PSD. Paulo Octávio, por sua vez, teria sido pressionado a equacionar as demandas, inclusive, segundo relatos, com recursos do próprio bolso. O desconforto, no entanto, já estava instalado.
Em linguagem direta: a conta chegou à mesa. Alguém teria que pagar. E ninguém saiu fingindo que não viu.
Corre nos bastidores, ainda segundo o portal, a informação de que um dos interlocutores teria gravado a reunião, algo que, se confirmado, pode despertar o interesse da Justiça Eleitoral.
Enquanto uns cobram, outros esperam no zero
O episódio explode justamente no momento em que vários candidatos do PSD-DF aguardam recursos para movimentar suas campanhas. Passados quase 30 dias de campanha, alguns seguem com zero de repasse.
Outro ponto que tem gerado forte irritação, de acordo com o BSB Times, é o tratamento desigual. Candidatos vindos do PRD teriam recebido valores bem superiores aos de nomes originários do próprio partido. Relatos apontam cifras de R$ 800 mil, R$ 150 mil, R$ 50 mil e, mais recentemente, R$ 30 mil, quase sempre ligados a quem chegou via PRD.
Nem o fato de determinados candidatos terem se colocado ao lado da chapa majoritária desde a pré-campanha parece ter alterado o critério. A sensação que se espalha é de que as decisões sobre o dinheiro não passam pela coordenação da campanha majoritária.
A desconfiança agora se estende também à distribuição do tempo de TV. A planilha oficial não aparece. Alguns candidatos aparecem com frequência. Outros simplesmente não aparecem. Mais uma manobra, segundo os insatisfeitos, para privilegiar uns em detrimento de outros.
R$ 11 milhões sob pressão
O volume de recursos em jogo alimenta a revolta. Mais de R$ 11 milhões constam nos dados oficiais da Justiça Eleitoral relacionados à legenda no Distrito Federal.
A pergunta que começa a circular entre os candidatos é direta e sem rodeios:
Quem definiu os critérios de distribuição dos recursos e do tempo de televisão? Quem controla o dinheiro? E por que alguns candidatos seguem no zero enquanto outros avançam?
É um jogo perigoso. A esperteza pode engolir o gato, e desmontar a unidade do PSD-DF.
Direção nacional já teria sido alertada
Segundo informações de bastidores apuradas pelo BSB Times, a direção nacional do PSD já teria conhecimento da insatisfação no Distrito Federal e poderá cobrar explicações sobre os critérios adotados tanto para o repasse de recursos quanto para a distribuição do tempo de TV.
Se isso acontecer, o que hoje ainda parece uma briga interna pode ganhar proporções bem maiores. Administrar uma nominata é uma coisa. Administrar mais de R$ 11 milhões sob pressão de candidatos que querem saber onde está o dinheiro da campanha é outra completamente diferente.
Manhattan virou o palco da crise
A reunião envolvendo Luiz Pitiman, Paulo Octávio e Lucas Kontoyanis mostra que a temperatura dentro do PSD-DF está subindo rápido.
O bate-boca pode ter sido apenas um episódio. Mas, se as cobranças continuarem, o encontro no Manhattan pode entrar para a história como o momento em que a crise do dinheiro deixou de ser cochicho de bastidor e passou a ser discutida de portas abertas.
E quando candidato começa a cobrar a conta, ninguém quer ficar segurando o pires.
No meio de todo o imbróglio, Paulo Octávio ainda teve que assumir a frente da campanha do próprio filho, convocando funcionários de sua empresa como auxiliares, diante da baixa receptividade da campanha de André Kubitschek.



