Na terceira edição do podcast O Xadrez da Política, o empresário Jorge Argello Júnior, o Jorginho (Avante), 35 anos, deu sua primeira entrevista como pré-candidato a vice-governador na chapa de José Roberto Arruda (PSD) ao Governo do Distrito Federal. Na conversa com o jornalista Hélio Rosa, ele deixou claro o papel que pretende ocupar no tabuleiro eleitoral de 2026: ser a ponte com a juventude que o discurso tradicional não alcança.
Nascido e criado em Taguatinga, faixa-preta de jiu-jítsu, corretor de imóveis, pai de duas filhas e prestes a ter um menino, Jorginho se apresentou como empresário da iniciativa privada que “cansou de só observar”. Com apoio unânime do Avante para ocupar a vaga de vice, ele argumenta que a chapa Arruda-Jorginho une o alto recall político do ex-governador à renovação geracional necessária para conquistar os mais de 700 mil eleitores de 16 a 35 anos do Distrito Federal.
Juventude, tecnologia e oportunidade
O principal ponto da conversa foi exatamente o público jovem. Jorginho criticou a falta de perspectiva, de primeiro emprego e de escolas de qualidade, e defendeu que Brasília, cidade nascida tecnológica, precisa apostar em empregos intelectuais, inteligência artificial e polos de inovação.
“Por que a gente não transforma um setor comercial degradado num polo de tecnologia? Por que não faz uso do Biotic?”, perguntou. Segundo ele, com o orçamento do DF, os jovens brasilienses deveriam competir de igual para igual com qualquer jovem do mundo. A renovação, disse, não é discurso de gabinete: é gestão eficiente, transparência e presença nas regiões administrativas ouvindo as dores de cada uma.
Disciplina do tatame e experiência privada
A formação no jiu-jítsu, que começou aos 22 anos e o levou à faixa-preta, foi citada como escola de resiliência, humildade e capacidade de virar o jogo sob pressão. Experiência que, segundo ele, se soma à gestão que pratica desde os 16 anos, quando abriu sua primeira empresa.
“Sobrenome abre portas, mas é o trabalho, a competência e a entrega que mantêm as portas abertas”, afirmou, reconhecendo o legado do pai, o ex-senador Gim Argello, mas reforçando que pretende se afirmar pelo próprio desempenho.
Prioridades e crítica ao atual governo
Jorginho apontou três eixos prioritários para um futuro governo: saúde, educação e segurança. Foi duro com o atual governo ao tratar do escândalo do BRB, classificando-o como o maior crime financeiro da história do país e criticando o pedido de adiamento do balanço para depois das eleições. Também atacou a ideia de destinar recursos da saúde e da educação para salvar o banco.
Chapa complementar
Ao aceitar a possibilidade de integrar a chapa de Arruda, Jorginho falou em humildade e responsabilidade. A leitura que se faz nos bastidores, e que ele próprio reforçou, é a de uma chapa vencedora: Arruda com seu capital político consolidado e Jorginho como o rosto jovem capaz de dialogar com a geração que hoje se sente excluída da política e do mercado de trabalho.
A entrevista marca a estreia pública de Jorge Argello como pré-candidato a vice e coloca o Avante oficialmente no jogo majoritário do Distrito Federal.
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