Crise interna dificulta a articulação da base de Celina Leão, enquanto o cenário político pode abrir espaço para o crescimento de adversários, como José Roberto Arruda.
O MDB do Distrito Federal vive um momento de profunda divisão interna, expondo a fragilidade dos deputados distritais diante da Executiva Nacional. Enquanto a cúpula do partido tenta assumir o controle das articulações para 2026 por meio de uma comissão especial, parlamentares da bancada local reagem à medida e defendem a autonomia do diretório regional. O impasse evidencia que, apesar da intervenção nacional, as decisões em Brasília continuam encontrando forte resistência política.
De acordo com o BSB Times, o líder da bancada do MDB na Câmara dos Deputados, Isnaldo Bulhões Jr. (AL), desautorizou qualquer realinhamento automático da legenda com a governadora Celina Leão (PP). Segundo ele, os encontros de deputados distritais com a governadora representam apenas diálogos institucionais, sem respaldo oficial do partido. A Executiva Nacional também retirou do diretório regional parte do comando das articulações ao criar uma comissão especial composta por lideranças nacionais, entre elas o ex-governador Ibaneis Rocha e o deputado federal Rafael Prudente.
A reação dos distritais foi imediata. Conforme revelou o Jornal de Brasília, parlamentares criticaram a interferência da direção nacional, repudiaram o que classificaram como “ameaças veladas” e defenderam que as decisões sobre o futuro político do Distrito Federal sejam tomadas por quem conhece a realidade local. Nos bastidores, deputados afirmaram que a democracia interna deve prevalecer sobre decisões impostas por lideranças de fora do DF.
Distritais demonstram insatisfação, mas perdem espaço
O episódio evidencia uma contradição dentro do MDB. Embora os deputados distritais tenham reagido publicamente à intervenção, a criação da comissão especial demonstra que o diretório regional perdeu protagonismo nas decisões estratégicas da legenda. Além disso, existe a possibilidade de alguns parlamentares serem incentivados a disputar vagas na Câmara dos Deputados para fortalecer a nominata federal, reduzindo ainda mais sua margem de atuação nas negociações locais.
As divergências também refletem o momento vivido pelo partido. Enquanto parte da bancada distrital defende maior aproximação com Celina Leão e apoia a candidatura de Ibaneis Rocha ao Senado, a direção nacional busca manter maior controle sobre as alianças para 2026, adiando definições consideradas estratégicas.
Nacional intervém, mas enfrenta resistência
Apesar de suspender atos do diretório regional e criar mecanismos de gestão compartilhada, a Executiva Nacional ainda enfrenta dificuldades para consolidar sua autoridade política no Distrito Federal. Na prática, deputados distritais continuam mantendo diálogo com a governadora e defendendo publicamente posições diferentes daquelas sinalizadas pela direção nacional.
Esse cenário revela que, embora a cúpula do MDB tenha ampliado seu espaço nas decisões formais, sua capacidade de impor uma linha única ao partido ainda encontra limitações. O resultado é um MDB dividido justamente às vésperas de um processo eleitoral decisivo.
Além de enfraquecer a capacidade de articulação da legenda, o racha interno também gera reflexos no cenário político do Distrito Federal. A dificuldade de construir uma posição unificada pode comprometer a estratégia da base governista e abrir espaço para o fortalecimento de candidaturas adversárias na disputa pelo Palácio do Buriti em 2026.
Fontes:
– BSB Times – MDB Nacional não deve permitir realinhamento com Celina.
– Jornal de Brasília – Distritais reagem à possível interferência da Executiva Nacional no MDB-DF.



