sábado, julho 25, 2026
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“O sistema matou meu pai”: Pré-candidata do Avante perde o pai após 10 dias à espera de cateterismo por falta de ambulância no DF

Lyly gravou desabafo emocionado: “De pulseira amarela para vermelha, 10 dias para a morte. Tinha médico, tinha remédio, mas o sistema não funcionou”

“Hoje eu vim aqui não para dar uma notícia, mas para falar de algo que eu estou vivendo. Estou vivendo um luto duplo”.

Foi com essa frase que a pré-candidata a deputada distrital pelo Avante, Lyly, anunciou a morte do pai. Um desabafo forte, gravado poucas horas após perder o homem que ela definiu como a pessoa que mais amava na vida.

O pai de Lyly morreu na madrugada desse sábado, às 5h da manhã, após passar 10 dias internado à espera de um cateterismo na rede pública de saúde do Distrito Federal. Um procedimento considerado comum, mas que nunca chegou a ser realizado.

Segundo o relato da pré-candidata, o problema não foi falta de estrutura. “O hospital tinha médico, tinha remédio, tinha leito, tinha enfermeiro, bons profissionais. Mas o sistema matou meu pai”, desabafou.

Lyly denuncia o que ela chama de drama das pulseirinhas. O pai deu entrada muito ruim em uma UPA de Brasília há dez dias e ficou no limbo da regulação. De pulseira amarela para virar vermelha, a espera se arrastou por mais de uma semana. Quando finalmente entrou no mapa para cirurgia, não era chamado.

E o motivo que travou tudo, segundo ela, foi o mais revoltante: falta de ambulância para transferência até o hospital onde o cateterismo seria feito.

“Quando a gente descobriu que o problema era uma ambulância, mesmo tendo como contratar uma particular, o hospital disse que se eximiria de qualquer situação decorrente do transporte. Por isso nós não poderíamos levar ele”, contou.

O paciente piorou dia após dia. Morreu sem ter direito nem de se despedir. “Foi muito duro ver meu pai gelado ali. Sem direito nem de dar tchau”, disse.

Ao fazer o desabafo, Lyly lembrou que não está sozinha. Na mesma unidade onde o pai estava, outras duas ou três pessoas também aguardavam o mesmo procedimento. E fez um alerta que tem se repetido em Brasília:

“Você deve ter alguém aí da sua vivência que já passou por uma situação de fazer o cateterismo, um procedimento relativamente comum, normal. O que não é normal é a gente normalizar isso.”

O caso de Lyly acontece em um momento de forte pressão sobre a saúde pública do DF. Nos últimos 40 dias, relatos de mortes evitáveis por falhas de regulação, demora na transferência e falta de transporte têm se multiplicado nas redes e gerado revolta. Para apoiadores e familiares, a morte do pai da pré-candidata seria o sexto caso do tipo nesse curto intervalo – uma sequência que expõe um gargalo cruel: não falta só leito ou profissional, falta o sistema funcionar.

“Que sistema público de saúde é esse que nós estamos tendo? Até quando a minha dor vai ser a sua dor e nós não vamos fazer nada?”, questionou.

Lyly afirmou que decidiu tornar pública a sua dor para honrar a memória do pai. “Hoje eu estou aqui para honrar a memória do meu pai, porque essa dor, sistema nenhum vai fazer parar.”

A pré-candidata reforça que nenhuma família deveria passar por isso. E deixa a pergunta que hoje ecoa em muitas casas do DF: até quando vamos ficar reféns do sistema?

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