quinta-feira, maio 14, 2026
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Operação Armlock volta ao debate político e expõe permanência de aliados investigados no governo do DF

“No Jiu-Jitsu, o Armlock é um golpe quase sem defesa. Na política do DF, a operação continua pressionando o governo Celina Leão enquanto investigada segue em cargo estratégico: Giselle Ferreira, ex-secretária de Esporte investigada na operação, hoje ocupa a Secretaria da Mulher. Resta saber: o governo conseguirá escapar desse golpe político?”

Investigação sobre suposto esquema de desvio de recursos do esporte segue sem conclusão definitiva, enquanto nomes alvos da operação continua e estavam até recentemente ocupando cargos estratégicos no governo ligado a Celina Leão

A menos de um ano da corrida eleitoral de 2026, a Operação Armlock voltou a ganhar espaço nos bastidores políticos de Brasília. A investigação conduzida pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), por meio do Gaeco e da Vice-Procuradoria-Geral de Justiça, apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos da Secretaria de Esporte e Lazer do DF envolvendo termos de fomento destinados a eventos esportivos de Jiu-Jitsu supostamente fictícios, superfaturados ou executados de forma irregular.

O MPDFT investigou suspeitas de desvio e malversação de recursos públicos em contratos ligados à Secretaria de Esporte do DF. Entre os valores sob análise estão R$ 137,4 milhões em parcerias firmadas pelo GDF com OSCs entre 2021 e 2022. O principal foco da Operação Armlock envolve cerca de R$ 841 mil destinados à Associação Centro-Oeste de Jiu-Jitsu (COJJ), entidade suspeita de participar de eventos supostamente fictícios ou superfaturados. Os investigadores também apuram emissão de notas fiscais frias, possível direcionamento de emendas parlamentares e movimentações financeiras consideradas atípicas. O valor total do prejuízo aos cofres públicos ainda está sendo calculado pelo MPDFT.

Mesmo após duas fases da operação, dezenas de mandados de busca e apreensão e graves suspeitas envolvendo agentes públicos, o caso segue sem denúncia formal, sem condenações e sem desfecho judicial definitivo até maio de 2026. Ainda assim, o episódio continua produzindo forte desgaste político para o atual grupo que governa o Distrito Federal, especialmente porque parte dos investigados permanece ocupando cargos relevantes na estrutura do governo.

A segunda fase da Operação Armlock, deflagrada em 11 de setembro de 2025, atingiu diretamente figuras políticas ligadas à base governista.

Entre os principais alvos estavam:

Giselle Ferreira de Oliveira, atual secretária da Mulher do DF e ex-secretária de Esporte;

Reginaldo Rocha Sardinha, ex-deputado distrital, que recentemente deixou a administração regional do Sudoeste/Octogonal para concorrer na eleição de outubro.

Francisco Grisolia Santoro (“Kiko”), ex-subsecretário e apontado pelos investigadores como articulador central do esquema.

Segundo o MPDFT, a investigação apura suspeitas de direcionamento de recursos públicos para entidades esportivas utilizadas como possíveis estruturas de fachada, especialmente a Associação Centro-Oeste de Jiu-Jitsu (COJJ). O esquema envolveria termos de fomento financiados com dinheiro público, emissão de notas fiscais supostamente falsas ou superfaturadas e utilização de eventos esportivos inexistentes para justificar despesas.

Os investigadores também apuram possíveis crimes de:

– peculato,

– corrupção ativa e passiva,

– lavagem de dinheiro,

– organização criminosa,

– fraude em procedimentos administrativos.

No caso de Reginaldo Sardinha, o MPDFT investigou suspeitas de direcionamento de emendas parlamentares para projetos ligados à entidade investigada, com possível recebimento de percentual dos recursos desviados.

Giselle Ferreira é apontada nas investigações como responsável por validar procedimentos administrativos que, segundo os investigadores, teriam permitido a continuidade dos repasses mesmo diante de obstáculos técnicos e legais.

Mandados de busca atingiram:

– gabinetes no Palácio do Buriti,

– a Administração Regional do Sudoeste/Octogonal,

– residências de investigados,

– além de endereços ligados às entidades esportivas.

Apesar da gravidade das suspeitas e da forte repercussão na época da operação, não houve até agora:

denúncia formal do MPDFT,

ação de improbidade administrativa,

condenações,

bloqueios públicos de bens,

ou divulgação oficial de valores totais supostamente desviados.

O caso permanece em fase investigativa, sob análise de documentos, movimentações financeiras e depoimentos.

Nos bastidores políticos, porém, o que mais chama atenção é a permanência de figuras investigadas dentro da estrutura do governo distrital.

Giselle Ferreira, mesmo após ter sido alvo da operação, segue no comando da Secretaria da Mulher, pasta estratégica do governo Celina Leão. Já Reginaldo Sardinha, não perdeu influência política como ex administrador regional do Sudoeste/Octogonal.

Para críticos do governo, a manutenção de aliados atingidos por operações de combate à corrupção reforça um discurso de continuidade de práticas políticas antigas dentro do Palácio do Buriti. A oposição também questiona o critério político adotado para nomeações dentro da atual gestão, especialmente após uma sequência de crises envolvendo investigações, operações policiais e denúncias de má gestão em diferentes áreas do governo.

A oposição também passou a explorar o caso eleitoralmente, associando a Operação Armlock a uma sequência de crises que atingiram o governo nos últimos meses, incluindo:

– o desgaste envolvendo o BRB e o Banco Master;

– investigações sobre indicações políticas;

– e denúncias relacionadas à gestão de contratos públicos.

Embora não exista condenação contra os investigados, adversários políticos questionam o fato de o governo manter nome citado em operações do Gaeco em cargo estratégico da administração pública.

A defesa dos envolvidos nega qualquer irregularidade.

Reginaldo Sardinha afirma que apenas indicava emendas parlamentares, cabendo ao Executivo a fiscalização e execução dos recursos.

sustenta que todos os procedimentos adotados durante sua gestão ocorreram dentro da legalidade e afirma confiar plenamente nos órgãos de controle.

Ainda assim, a ausência de conclusão definitiva sobre a Operação Armlock mantém o episódio vivo no debate político do Distrito Federal, especialmente em um cenário de alta polarização e desgaste crescente do governo nas pesquisas de opinião.

Nos bastidores da política local, aliados e adversários concordam em um ponto: caso surjam novas fases da investigação ou eventual denúncia formal do MPDFT, a repercussão poderá atingir diretamente o núcleo político do atual governo em pleno período pré-eleitoral de 2026.

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