terça-feira, outubro 27, 2026
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Repercussão sobre resultado da eleição presidencial marca plenária


A sessão ordinária da tarde desta terça-feira, 27, primeira após o resultado das eleições presidenciais de 2026, foi marcada por manifestações de diferentes lideranças parlamentares sobre a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à presidência da República. O petista foi reconduzido ao cargo com mais de 64 milhões de votos.

A vitória de Lula foi celebrada por deputados integrantes do Partido dos Trabalhadores. A primeira a pedir a palavra para tratar do assunto foi a deputada Bia de Lima (PT), que classificou o resultado como “a maior festa democrática de toda a história brasileira”.

“Fizeram de tudo, atacaram, agrediram uma vereadora, acorrentaram pretos, machucaram pessoas, atacaram e mataram militantes, quebraram carros de manifestantes. Tudo se fez para impedir que a vontade do povo se concretizasse, mas não conseguiram nos calar e jamais vão conseguir”, frisou Bia de Lima.

Ao citar o Estado de Goiás, a parlamentar agradeceu o crescimento de quase 10% do eleitorado que foi às urnas. Ela também destacou as manifestações nas ruas, que, em sua avaliação, contribuíram para a “maior reviravolta na política” e para a vitória de Lula, com uma diferença superior a quatro milhões de votos em relação ao seu adversário, Flávio Bolsonaro (PL). 

Na sequência, o deputado Mauro Rubem (PT) ocupou a tribuna. Em seu discurso, o parlamentar agradeceu ao povo goiano e brasileiro pela votação e ressaltou o papel da juventude na mobilização política do país. “Essa juventude corajosa que inundou as ruas das cidades do Brasil afora”, afirmou.

O deputado também avaliou que o resultado das eleições representa o reconhecimento de um projeto político voltado à valorização da população brasileira. Depois, parabenizou o presidente Lula e elencou as “iniciativas de inclusão social, o incentivo ao desenvolvimento e a defesa dos interesses da sociedade”.

Em seguida, o deputado Antônio Gomide, também do PT, parabenizou os brasileiros pela participação no processo eleitoral e destacou a importância de respeitar a vontade popular. “Será que democracia é quando disputamos uma eleição e ganhamos? Quando perde não vale?”, indagou.

Para Gomide, é necessário haver maturidade política para compreender o resultado das urnas e respeitar a decisão dos eleitores. O parlamentar também afirmou que a votação expressa a escolha da população pela continuidade do atual projeto político. “O que o povo brasileiro fez no domingo foi depositar a vontade de ter essa continuidade política no país”, afirmou.

Descontentamento

O líder do Governo na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), deputado Talles Barreto (UB), também se pronunciou sobre o resultado das eleições. Ele afirmou que seu posicionamento acompanha a manifestação feita pelo governador Daniel Vilela (MDB) durante coletiva de imprensa na segunda-feira, 26. “Independentemente se foi falha da forma de trabalhar ou da condução da campanha, as urnas deram o resultado”, disse.

Na sequência, Barreto avaliou negativamente o desempenho de Lula à frente do Governo Federal e defendeu que o Executivo “faça mais pelo Brasil”. O parlamentar afirmou que não pretende questionar o resultado das urnas, mas a atuação do governo eleito.

“Precisamos mudar. Cidadãos goianos e goianas, brasileiros e brasileiras precisam de um país mais sério, onde as leis realmente prevaleçam e todos nós sonhemos com o crescimento, com responsabilidade fiscal, com um Supremo Tribunal Federal (STF) menos corporativo e mais voltado à Justiça”, afirmou.

O deputado Amauri Ribeiro (PL) também utilizou a tribuna para manifestar insatisfação com o resultado do pleito. Em resposta às declarações de Mauro Rubem, o parlamentar questionou a legitimidade do processo eleitoral e citou medidas judiciais relacionadas ao candidato derrotado.

“O senhor falar em democracia e transparência em uma eleição que, após o candidato ser derrotado, sete minutos depois, o candidato recebe o pedido, feito por indicados por seu partido ao STF, de apreensão de passaporte. Que democracia é essa? Que país é esse?”, indagou Ribeiro.

O parlamentar do PL disse não enxergar isonomia e liberdade para os quase 60 milhões de eleitores que votaram em seu correligionário, Flávio Bolsonaro (PL). Ribeiro também fez referência a supostos crimes eleitorais que, segundo ele, teriam sido cometidos pela candidatura de Lula (PT), reeleito para a presidência da República.

Na mesma linha, o deputado Thiago Albernaz (MDB) levantou questionamentos sobre a legitimidade do processo eleitoral e afirmou que o cenário provoca insegurança jurídica para a população brasileira.

O parlamentar também criticou possíveis cortes no orçamento federal previstos para o próximo ano e relacionou as medidas às promessas feitas durante a campanha presidencial.

“Já se prevê um corte no gasto orçamentário da União para o ano que vem em mais de R$ 20 bilhões. São cortes na Educação e na Saúde, para poder bancar as promessas eleitorais que o atual presidente, sem escrúpulo algum, propagou durante a campanha eleitoral”, frisou Albernaz.

Partido em foco

Ainda durante o Pequeno Expediente, o deputado Ricardo Quirino (Republicanos) ocupou a tribuna para avaliar o desempenho de sua legenda nas eleições de 2026. O parlamentar abordou também o que considera ser um momento de crise institucional no país, afirmando que, na sua avaliação, muitas pessoas tiveram restringidos os direitos à liberdade de consciência e de pensamento.

Quirino comentou a eleição de dois candidatos do Republicanos para governos estaduais: Cleitinho Azevedo, em Minas Gerais, e Tarcísio de Freitas, em São Paulo. O deputado também destacou a eleição de três vice-governadores, cinco senadores, 41 deputados federais, 35 deputados estaduais e três deputados distritais pela legenda.

Ao analisar o desempenho do partido em Goiás, o parlamentar avaliou que os resultados ficaram abaixo das expectativas. “Só lamento que em Goiás não se tenha conseguido alcançar o mesmo patamar que o Republicanos tem em todo o país. Espero que as lideranças de Goiás possam se reunir e refletir sobre o resultado dessas eleições, porque estamos abaixo do nível do crescimento nacional do partido”, arrematou Quirino.

Festas religiosas

Além dos pronunciamentos sobre o resultado das eleições, a sessão desta terça-feira, 27, também foi marcada pela deliberação de matérias legislativas. Ao todo, três projetos de lei foram aprovados, em definitivo, pelo Plenário, todos relacionados ao reconhecimento de manifestações religiosas e culturais realizadas em municípios goianos.

Duas das propostas são de autoria do deputado Bruno Peixoto (UB), presidente da Alego. A primeira, protocolada sob o nº 12334/26, prevê a inclusão da Festa em Louvor a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro no Calendário Cívico, Cultural e Turístico do Estado de Goiás.

A celebração ocorre anualmente, em 27 de junho, no Santuário Basílica Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Goiânia. Segundo a justificativa apresentada por Peixoto, a festividade está entre as manifestações religiosas tradicionais do Estado, reunindo milhares de fiéis e contribuindo para a preservação da cultura, da memória coletiva e das tradições religiosas goianas.

A segunda proposta, nº 12329/26, pretende incluir no Calendário Cívico, Cultural e Turístico estadual a Festa em Louvor a Nossa Senhora da Conceição, realizada em Goiânia. Com a aprovação definitiva pelo Plenário, o projeto seguirá para análise do governador Daniel Vilela (MDB).

“Mais do que uma celebração religiosa, o evento possui significativa relevância cultural e turística. Durante sua realização, observa-se expressivo incremento na circulação de visitantes, que impulsiona diversos segmentos da economia local, especialmente, os setores de comércio, alimentação, hospedagem, transporte e prestação de serviços”, aponta Peixoto, em justificativa.

A terceira matéria aprovada foi o projeto de lei nº 30681/25, de autoria do deputado Coronel Adailton (Solidariedade). A proposta reconhece a Festa do Divino Espírito Santo, realizada anualmente no município de Mambaí, como Patrimônio Cultural, Religioso e Imaterial do Estado de Goiás. 

O texto também prevê a inclusão da celebração no Calendário Cívico, Cultural e Turístico estadual. De acordo com a justificativa do projeto, a festa está entre as manifestações religiosas e culturais mais tradicionais da região.

Com práticas transmitidas entre gerações, o festejo desempenha papel importante na formação da identidade local e constitui uma expressão do patrimônio imaterial goiano.

Segundo Adailton, a importância histórica e cultural da celebração ultrapassa os limites do município de Mambaí. “Seu papel na preservação da fé popular, na valorização dos costumes tradicionais e na promoção da solidariedade comunitária justifica o reconhecimento estadual desta manifestação como bem cultural e religioso digno de proteção, incentivo e continuidade”.

A sessão ordinária desta terça-feira pode ser assistida na íntegra neste link. 



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