Itamaraty confirma que as duas sobretaxas anunciadas por Washington se somam; governo vê espaço para negociação antes de aplicação em julho.
As duas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos contra o Brasil terão efeito cumulativo, segundo o Palácio do Itamaraty. Caso não haja negociação, o país pode ser sobretaxado em até 37,5% sobre suas exportações para o mercado americano.
O porcentual considera uma taxa de 12,5% prevista em documento do USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) divulgado na noite de terça-feira (2). Essa sobretaxa atinge o Brasil e outras 59 economias que, segundo Washington, teriam se omitido em relação a produtos fabricados com trabalho forçado.
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Além dessa taxação geral, existe a tarifa específica contra o Brasil, proposta na segunda-feira (1º) após investigação comercial conduzida pelo mesmo departamento. Essa segunda sobretaxa foi motivada por práticas consideradas “injustas” pelos americanos, como ordens do STF sobre redes sociais, o Pix, tarifas preferenciais ao México e à Índia, combate insuficiente à corrupção e desmatamento ilegal.
O governo brasileiro trabalha nos próximos passos das negociações e ainda identifica brechas para diálogo. Reservadamente, fontes da diplomacia avaliam que o tarifaço mais recente tem como alvo principal a China, funcionando como uma forma de punir países que abrigam empresas chinesas.
A audiência pública sobre a medida específica contra o Brasil está marcada para 6 de julho. O prazo para eventual aplicação da “medida corretiva” é 15 de julho. O Itamaraty segue monitorando o tema e prepara estratégias de negociação.
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O Planalto considera que a primeira taxação tem forte viés político, enquanto a segunda está mais ligada à disputa comercial global entre Estados Unidos e China.
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